História
Mesmo com toda a sua trajetória histórica e da evidência da importância que a vila representou para a história baiana e brasileira, percebida através do legado cultural ainda existente em seu território, o turismo desenvolvido em Morro de São Paulo está centrado nos atrativos naturais.
Apesar das constantes referências dos atrativos histórico-culturais nas ações comunicativas de vendas do destino, o patrimônio histórico arquitetônico de Morro de São Paulo, que seria a base do desenvolvimento do turismo histórico-cultural, encontra-se em processo avançado de degradação, vez que não recebe atenção dos poderes públicos em instância federal, estadual e municipal, mesmo representando a potencialidade de se configurar como um diferencial turístico capaz de agregar mais valor ao destino, fator essencial inclusive para as políticas de desenvolvimento do turismo na Bahia, que considera a cultura como um fator diferencial a ser vinculado nas estratégias de comunicação de venda do produto turístico baiano.
Possuindo elementos culturais de grande relevância, a inserção do turismo histórico-cultural no povoado revela-se como capaz de otimizar a atividade turística e torna-se um segmento turístico bastante promissor, que agrega vantagem competitiva ao destino.
O patrimônio de Morro de São Paulo: Um olhar sobre a história a partir dos monumentos arquitetônicos.
O patrimônio cultural arquitetônico de Morro de São Paulo está caracterizado pelo IPAC como sendo um sítio histórico, composto pela Fortaleza (formada pelo Portaló, Forte Velho, Forte da Ponta e a muralha), pela Igreja de Nossa Senhora da Luz, Fonte Grande, Sobrado da Praça e o Farol.
No período inicial de atuação do SPHAN, marcado pela orientação de preservação voltada aos bens característicos do período colonial do Brasil, os monumentos históricos de Morro de São Paulo entraram na lista de preservação do
órgão, estando sob sua proteção desde 1936, ocasião em que foram tombados a Fortaleza e o Forte da Ponta, sendo inscritos no livro do Tombo de Belas Artes em 25 de maio de 1936, e no Livro de História três anos depois. Em 25 de maio de 1939 foi reconhecido primeiro o seu valor artístico e logo em seguida o valor histórico. A
Fonte Grande foi tombada em 08 de agosto de 1943, e sua inscrição consta no Livro de História e de Belas Artes (IPAC, 1985).
Dos monumentos de Morro de São Paulo, a Igreja de Nossa Senhora da Luz e o Sobrado da Praça não foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e o Farol não foi tombado pelo IPHAN nem inventariado pelo IPAC.
Como chegaram os primeiros turistas em Morro de São Paulo?
Consideram seus habitantes, teriam sido veranistas de Salvador e recôncavo Baiano, em 1955, os quais formavam um grupo que uma vez ou outra vinham a Morro de São Paulo sempre no verão. Depois desses veranistas, quase na mesma época, chegaram aqui três Hippies, que por causa de seus cabelos longos, roupas coloridas e da fala que ninguém entendia. Na Primeira Praia foram construídas as primeiras casas de veranistas da região. Hoje em dia quase todas se transformaram em pousadas, mas alguns veranistas tradicionais ainda mantêm a sua casa para uso apenas em temporadas ou feriados. Por este motivo, é comum a presença de inúmeras lanchas particulares fundeadas nesta praia em épocas de temporada.
Até o início do século XIX o Morro de São Paulo parecia não existir com alguma notoriedade maior. Na formação da população do atual distrito tiveram influência vários grupos étnicos, os negros e os estrangeiros (portugueses, italianos, franceses, holandeses, ingleses, alemãs e espanhóis). Além de ser um paraíso, Morro de São Paulo preserva seu passado, na memória do tempo. Daí, surgiu a vila de Morro de São Paulo.
Martim Afonso de Sousa, ao desembarcar em 1531, batizou esta ilha de Tynharéa, que o sotaque baiano logo transformou em Ilha de Tinharé.
A Ilha de Tinharé se situa ao norte do arquipélago da Baía de Camamu, baixo sul da Bahia, região conhecida como Tabuleiro Valenciano ou ainda Costa do Dendê. Devido à sua privilegiada localização geográfica, foi cenário de inúmeros ataques de esquadras francesas e holandesas, verdadeira zona franca de corsários e piratarias durante o período colonial.
Sob a jurisdição da capitania de São Jorge dos Ilhéus, Jorge de Figueiredo Correa recebeu a propriedade de D.João III, e designou Francisco Romero para a colonização das terras. Os constantes ataques dos índios aymorés e tupiniquins à população continental da região favoreceram a rápida povoação das ilhas, e em 1535 nascia no norte da ilha a vila Morro de São Paulo